PC Spore -- Análize

08/09/2008 19:46

Não é todo dia que podemos experimentar algo totalmente novo, principalmente quando estamos falando de uma indústria como a dos games, que raramente foge da reciclagem de fórmulas de sucesso e estilos consagrados como forma de evitar fracassos de vendas. Felizmente temos alguns grandes visionários nessa indústria, que possuem cacife para encabeçar projetos ambiciosos e experimentais, alimentando a indústria de novas idéias e oferecendo aos sedentos jogadores experiências inéditas e valiosas.

Will Wright, criador de "The Sims" e "Sim City", é um desses grandes grandes pensadores dos games e sua última criação, "Spore", pode ser considerada sua obra máxima até então. O jogo que lhe permite embarcar em uma viagem evolutiva da vida, indo do começo dos tempos até a conquista espacial, não inaugura um novo gênero, mas oferece uma experiência tão diferente e gratificante que se torna único.

E tudo começou com uma explosão...
 

A idéia de Spore é permitir que o jogador evolua uma espécie viva no decorrer de eras, passando por o que seria a representação da sociedade atual até a expansão interplanetária. Apesar de abordar conceitos de biologia ou antropologia, sua idéia não é reproduzir a história do mundo, mas sim deixar que o jogador crie sua própria história da vida. Sendo assim, a mecânica se divide em cinco fases: celular, criatura, tribal, civilização e espacial.

Cada estágio traz um jogo próprio, por assim dizer, com diferentes objetivos e possibilidades, mas tudo integrado de uma maneira inteligente e criativa. O primeiro passo é optar por uma espécie carnívora ou herbívora e, na forma de uma pequena ameba, vagar por um mundo aquático em busca de alimento, que lhe dão pontos de DNA. Na corrida evolutiva, você terá que fugir de outras espécies para sobreviver e encontrar parceiros para garantir as novas gerações. Tais pontos de DNA podem ser trocados por novas partes para o corpo de sua criatura, rendendo novos atributos e habilidades essenciais para a sobrevivência, como nadadeiras maiores, espinhos, glândulas que liberam veneno ou correntes elétricas e mais.

Embora não haja muito a ser feito nessa fase além de fugir das criaturas maiores e se alimentar de plantas ou outras espécies, não demora muito até que você possa avançar para o próximo estágio, o da criatura, sem que a experiência se torne cansativa. A partir deste ponto, a ferramenta de criação de criaturas se torna cada vez mais poderosa, e com poucos cliques e movimentos do mouse, você pode criar verdadeiros monstros alienígenas. Novos membros e partes para o corpo são adicionados conforme você vai explorando o mundo terrestre, fazendo contato com outras criaturas ou devorando as espécies mais fracas.

Nesta fase sua criatura já é capaz de socializar com outras espécies e partir para o combate. Cabe ao jogador decidir qual será sua abordagem, que refletirá o futuro de sua espécie. A socialização acontece atravéz da repetição de danças e poses bastante cômicas e, embora seja divertido no começo, o sistema acaba ficando um pouco entediante depois de algum tempo, principalmente se você optar apenas pela abordagem pacífica.

Já os combates funcionam como em um RPG em tempo real: com cliques do mouse ou atalhos para os comandos no teclado, você desfere golpes, mordidas e empurrões. Durante sua progressão, você não apenas evolui sua criatura, deixando-a mais forte e resistente, como também ganha a habilidade de formar um bando, facilitando a socialização ou o combate. Além disso, dependendo da maneira como você desenvolve sua criatura, você ganha uma habilidade especial única, como rugidos amedrontadores ou danças hipnóticas.

Embora a variedade de coisas a fazer não seja muito grande, o que pode tornar o estágio um pouco repetitivo, há sempre algo novo para investigar ou situações inesperadas, como a aparição de uma misteriosa nave espacial ou criaturas gigantescas.

Já no estágio tribal, "Spore" começa a introduzir aos poucos elementos de jogos de estratégia em tempo real, visto que em vez de controlar uma única criatura, você passa a comandar um bando inteiro, definindo ações para um grupo usando o mouse. Aqui sua espécie já assume uma forma definitiva e você não mais precisa adaptar seu corpo às necessidades de sobrevivência, mas pode optar por vestimentas e adornos. Novamente, é preciso coletar comida (que desta vez também serve como recurso para ampliar a tribo), interagir com outros bandos em busca de alianças ou dominar os territórios na base da força.

Apesar da simplicidade da mecânica e do número limitado de comandos e construções, muito menor do que qualquer jogo de estratégia em tempo real, por exemplo, tudo é tão equilibrado e cativante que você nem nota que está jogando uma versão bastante simplificada de clássicos como "Warcraft". A inteligência artificial, embora seja competente, apresenta algumas falhas quando você dá ações para grupos muito grandes, deixando alguns membros perdidos durante a ação, mas sem chegar a frustrar o jogador.

Conquistando o espaço



Se a fase tribal se parece com uma versão simplificada de "Warcraft", o estágio da civilização lembra, não por coincidência, o clássico "Civilization", também sem grandes complicações mas com uma mecânica bastante divertida. A maneira como você se relacionou com outras espécies nas outras fases, devorando todos ou fazendo amizades, definirá sua postura como nação. Uma abordagem totalmente pacífica o conduzirá para um caminho religioso, em que você deve converter outras nações com base em uma verdade absoluta; econômico, no qual dinheiro é sua arma para dominar todos os territórios; ou militar, que faz de você um mestre da guerra.

A partir daqui, você passa a construir suas próprias unidades móveis e imóveis, como veículos terrestres, aéreos e marítimos, casas para seus habitantes, centros de entretenimento, fábricas e até mesmo sua prefeitura com a mesma ferramenta simples, amigável e incrivelmente poderosa com a qual você criou sua criatura.

A densidade de informações que você tem de lidar neste estágio é muito maior, já evidenciando o nível de complexidade que está por vir na fase espacial. Com os recursos naturais obtidos através da instalação de bases ao redor do planeta, você deve desenvolver suas cidades, conciliando a felicidade dos habitantes com o nível de produção das fábricas, o que não é muito complicado. Ao mesmo tempo, precisa se preocupar em dominar as nações vizinhas antes que elas se tornem grandes potências, seja adquirindo confiança através de presentes ou mandando tudo pelos ares.

Mas o melhor mesmo de "Spore" é, sem dúvida, o estágio espacial, que completa a experiência com uma mecânica extremamente densa e sólida que, não por acaso, é o estágio mais longo e imersivo do jogo. Nesta fase você passa a controlar uma nave, embora ainda possa gerenciar sua cidade para lhe garantir matéria prima para ser comercializada com espécies de outros planetas. O jogo faz um belo trabalho em apresentar cada um dos muitos elementos da nova mecânica, que aqui envolve colonizar novos planetas, transformar planetas inóspitos em lugares habitáveis e com natureza equilibrada, formar alianças com espécies alienígenas, iniciar guerras interplanetárias, coletar informações sobre espécies exóticas de planetas distintos, evitar catástrofes ecológicas, criar rotas comerciais pela galáxia e muito mais. É aqui que você descobre o verdadeiro poder de "Spore".

Os planetas que antes, no estágio da criatura, pareciam enormes, tornam-se pífios perto da imensidão da galáxia de "Spore", que conta com incontáveis sistemas solares repletos de planetas das mais diferentes formas e cores, a maioria deles explorável. A navegação acontece em tempo real, usando o "scroll" do mouse para aproximar e se afastar dos sistemas solares e planetas. Aqui quase tudo se resume em exploração e resolução de uma grande variedade de missões propostas pelo seu próprio povo ou por raças alienígenas.

O dinheiro continua sendo um importante elemento, seja para comprar sistemas solares e dominar aos pouquinhos a praticamente infindável galáxia, seja para comprar novas ferramentas e melhorias para sua nave.

A comunicação entre as espécies se desenrola através de muito texto e uma grande diversidade de opções para as respostas, que vão aos poucos definindo a sua relação com elas. Se você for grosseiro e ameaçador, pode ter certeza que comprará briga com ela, o que pode significar ataques contantes aos seus planetas. Ainda que você tente ser pacífico com todos, é comum se deparar com raças naturalmente agressivas ou ter que recusar missões de determinada raça para não afetar sua relação com uma segunda raça alienígena. Isto é, tudo que você faz ou deixa de fazer afeta de alguma forma o universo do jogo, o que é genial.

Universo em expansão



Não bastasse a idéia cental de "Spore" já ser um tanto ambiciosa, o jogo inova com a troca online constante de conteúdo criado por jogadores. Todas as invenções dos jogadores, como criaturas, veículos e construções são distribuídas de forma aleatória para todos os jogadores do mundo, significando que raramente você encontrará as mesmas coisas não apenas a cada novo jogo que iniciar, mas durante o desenvolvimento de seu próprio jogo. Portanto, não se assuste de você encontrar criaturas parecidas com Pokémons ou Yoshis de "Super Mario Bros." no jogo da Electronic Arts.

Até o momento, "Spore" é o título que melhor define a idéia de "2.0" da web nos games. Além da possibilidade de publicar diretamente no YouTube as animações de suas criaturas, com a ferramenta Sporepedia você pode identificar, procurar, comentar e organizar facilmente as centenas de invenções adicionadas ao banco de dados de "Spore" diariamente. Pode inclusive fazer amigos online, adicioná-los em uma lista e permitir que apenas as criaturas deles participem de suas partidas.

Além disso, "Spore" tem a capacidade de moldar a experiência do jogador de acordo com suas ações no decorrer dos seus cinco estágios, significando diferentes possibilidades a cada nova partida. Isso tudo permite que cada jogador descubra uma maneira diferente de jogar "Spore", algo como já aconteceu em "The Sims", jogo anterior de Will Wright.

Aliás, tal como "The Sims", "Spore" esbanja carisma, graças a um impecável trabalho de animação e som que dá vida às criaturas. Embora as criaturas mais bizarras, com dezenas de membros, possam apresentar animações um pouco estranhas, geralmente elas se comportam de maneira bastante convincente. Não há como não rir de suas dancinhas e formas inusitadas de comunicação.

A excelente trilha sonora assinada pelo renomado compositor Brian Eno, também conhecido como o "pai da música ambiente", ajuda dar a "Spore" uma cara única, com músicas sutiz e enigmáticas, compostas principalmente por sintetizadores, que se encaixam perfeitamente à atmosfera do jogo.

Fonte:http://jogos.uol.com.br/pc/analises/spore.jhtm

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